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Obesidade: quando o excesso de peso se torna um risco à saúde e exige atenção

Foto: Freepik
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Especialistas explicam como identificar os sinais de alerta, os impactos no corpo e a importância de buscar ajuda médica para o tratamento adequado

A obesidade é um dos maiores desafios de saúde pública do século 21. Mais do que uma questão estética, trata-se de uma doença crônica que pode causar complicações sérias, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, problemas nas articulações e até alguns tipos de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com obesidade — um número que cresce a cada ano, inclusive no Brasil.

De acordo com especialistas, o excesso de peso começa a se tornar perigoso quando o acúmulo de gordura corporal afeta o funcionamento do organismo. A avaliação, no entanto, não deve se basear apenas no Índice de Massa Corporal (IMC), mas também em exames clínicos e na análise dos hábitos de vida, como alimentação, sono e prática de atividade física.

O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), explica que a obesidade é uma condição multifatorial. “Não é apenas resultado de comer demais ou se exercitar de menos. Existem componentes genéticos, hormonais, emocionais e sociais. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado”, afirma.

Quando o excesso de peso exige atenção

Nem todo sobrepeso significa necessariamente risco. Algumas pessoas podem ter IMC elevado devido à alta massa muscular, mantendo exames normais. Por outro lado, há quem apresente alterações metabólicas importantes mesmo com ganho leve de peso.

Entre os sinais de alerta que indicam que o excesso de peso pode estar comprometendo a saúde, estão:

  • Cansaço constante e falta de ar;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Alterações no colesterol e na glicose;
  • Ronco e apneia do sono;
  • Dores nas articulações;
  • Alterações hormonais, especialmente em mulheres.

Nesses casos, o acompanhamento médico é essencial. O tratamento pode envolver uma equipe multiprofissional, incluindo nutricionista, psicólogo, educador físico e fisioterapeuta, garantindo um cuidado completo e contínuo.

O impacto emocional e social da obesidade

A obesidade também traz consequências emocionais. O preconceito e o estigma enfrentados por pessoas com excesso de peso — muitas vezes até dentro do próprio sistema de saúde — podem causar baixa autoestima, ansiedade e depressão. Isso torna o tratamento mais desafiador, reforçando a importância do acolhimento e da empatia no processo de cuidado.

Pesquisas mostram que dietas muito restritivas e métodos rápidos de emagrecimento costumam gerar resultados temporários, com alto risco de efeito sanfona. Por isso, médicos recomendam focar em mudanças sustentáveis no estilo de vida, com alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade.

Tratamentos e avanços

Nos últimos anos, a medicina avançou bastante no tratamento da obesidade. Já existem medicamentos modernos que ajudam a controlar o apetite e regular hormônios ligados à saciedade. Para casos mais graves, as cirurgias bariátricas e metabólicas continuam sendo uma alternativa eficaz.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento gratuito e, em situações específicas, realiza também os procedimentos cirúrgicos. Apesar disso, os especialistas reforçam que a prevenção é o melhor caminho: incentivar hábitos saudáveis desde a infância, combater o sedentarismo e garantir o acesso a alimentos de qualidade são medidas fundamentais.

O alerta para o Brasil

No Brasil, os números preocupam. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 60% dos brasileiros estão com excesso de peso e quase 30% vivem com obesidade. O crescimento é observado em todas as idades e classes sociais, afetando diretamente a expectativa e a qualidade de vida.

Para Halpern, é urgente mudar a forma como a obesidade é vista. “Precisamos parar de enxergá-la como uma falha individual. É uma doença que exige cuidado, ciência e acolhimento”, destaca o endocrinologista.