Fenômeno causado por uma supercélula destruiu casas nas cidades de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho; monitoramento não detectou o tornado a tempo.
A passagem de um tornado na tarde da última terça-feira (28) provocou destruição e momentos de pânico no Rio Grande do Sul. O fenômeno climático atingiu a região de divisa dos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, deixando quatro pessoas feridas e dez famílias fora de suas casas.
Segundo dados da Defesa Civil estadual, três residências foram completamente destruídas exatamente no ponto limite entre as três cidades, onde ocorreram os ferimentos. Das quatro pessoas atingidas, duas receberam atendimento médico no local e foram liberadas, enquanto outras duas seguem internadas em ambiente hospitalar, com quadro de saúde estável e sem risco de morte.
Danos estruturais e comunidades afetadas
No município de Giruá, os ventos intensos causaram severos estragos em residências, galpões e garagens, com imóveis totalmente devastados. Entre as localidades rurais mais afetadas estão as comunidades de Rincão dos Coimbras, Rincão dos Mellos, Rincão dos Ribeiros, Amaral e Melgarejo.
Para conter os impactos e prestar auxílio imediato à população, foram mobilizadas equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil municipal e estadual, além da Secretaria de Obras local. Os trabalhadores atuam no atendimento às famílias atingidas, na remoção de árvores caídas e na desobstrução de estradas.
Supercélula e falha na identificação do radar
A Defesa Civil informou que o tornado esteve associado ao desenvolvimento de uma “supercélula”, tipo de tempestade caracterizado por correntes de ar ascendentes e giratórias, responsáveis por gerar ventanias extremas e queda de granizo.
Apesar da gravidade, o sistema de monitoramento da Defesa Civil estadual não conseguiu identificar a formação do tornado com antecedência. A corporação havia emitido um alerta laranja de tempestade às 17h14 com base no radar meteorológico de Chapecó (SC). Contudo, por estar situado a mais de 300 quilômetros de Giruá, o feixe do radar captou apenas a altitude superior a 4,5 km, impossibilitando a detecção das correntes de rotação mais próximas da superfície terrestre.