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Quem é a mulher de 30 anos que morreu após ingerir bebida adulterada com metanol em São Paulo

Divulgação/Governo de SP
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Bruna Araújo estava internada sob suspeita de intoxicação; casos semelhantes já somam mortes confirmadas e suspeitas em todo o estado

Na noite desta segunda-feira (6 de outubro de 2025), foi confirmada a morte de Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, vítima de intoxicação por metanol, após ingerir bebida alcoólica adulterada.

Moradora de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, Bruna estava internada desde o dia 29 de setembro após participar de um show no qual consumiu vodca com suco de pêssego — bebida posteriormente identificada como contaminada por metanol. Segundo a Prefeitura local, foi adotado o protocolo de cuidados paliativos, em conjunto com a família, quando ficou constatado que não havia possibilidade de reversão do quadro.

Com a morte de Bruna, já são três casos confirmados de óbito no estado de São Paulo ligados à ingestão de bebidas adulteradas com metanol, além de diversos casos sob investigação. Em São Bernardo especificamente, há 78 notificações de suspeita de intoxicação: entre elas, 6 óbitos e 72 pacientes hospitalizados ou avaliados. Bruna é a única mulher até agora com confirmação de metanol no exame.

Contexto do surto nacional de metanol

Este episódio se insere em um surto de intoxicações por metanol pelo Brasil, iniciado em setembro de 2025. Falsificadores têm adulterado bebidas destiladas — como vodca, uísque e gin — com metanol para baratear o custo. Até o momento, diversos estados registraram casos confirmados ou suspeitos.

Somente em São Paulo, o estado mais afetado, já foram reportados dezenas de casos confirmados e centenas em investigação. Estabelecimentos suspeitos de comercializar bebidas adulteradas estão sendo interditados e lotes de bebidas estão sendo apreendidos pelas autoridades sanitárias.

Por que o metanol é tão perigoso

O metanol, também chamado de álcool metílico, é uma substância altamente tóxica. Ao ser ingerido, é metabolizado pelo fígado em formaldeído e depois em ácido fórmico — substâncias que causam danos graves, inclusive à visão e ao sistema nervoso. Mesmo pequenas quantidades já podem provocar sequelas irreversíveis ou morte. Os sintomas iniciais incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, alterações na visão e, em casos mais graves, inconsciência e parada respiratória.

O tratamento exige diagnóstico rápido, uso de antídotos (como etanol ou fomepizol), hemodiálise em casos severos e suporte intensivo.

Importância da fiscalização e prevenção

Um dos maiores fatores de risco é a comercialização clandestina e a adulteração criminosa das bebidas alcoólicas. Por isso, órgãos de saúde e fiscalização têm realizado ações de interdição e apreensão. É essencial que o consumidor seja cauteloso:

  • Prefira bebidas de marcas reconhecidas e com rotulagem confiável;
  • Desconfie de preços muito baixos;
  • Evite consumir bebidas compradas em locais com procedência duvidosa;
  • Nunca compartilhe copos com bebidas abertas de origem incerta.

Historicamente no Brasil já houve casos trágicos de intoxicação por álcool adulterado — por exemplo, a chamada “cachaça da morte” na Bahia e no Piauí, em 1990, que causou dezenas de mortes.