Atleta amador de 50 anos mantinha estilo de vida saudável e sofreu um mal súbito após cruzar a linha de chegada da meia-maratona, em São Paulo
Um fato triste marcou a realização da 10ª edição da SP City Marathon, disputada na manhã deste domingo (26), na capital paulista. O corredor Júlio Barreto, de 50 anos, morreu após concluir o percurso de 21 km da meia-maratona. Ele sofreu um mal súbito e teve uma parada cardíaca logo após cruzar a linha de chegada, situada no Jockey Club de São Paulo.
Júlio era considerado um atleta amador bastante experiente. Praticante de ciclismo durante boa parte da vida, ele começou a se dedicar às corridas de rua e de montanha (trail run) em 2021. Desde então, já havia completado pelo menos cinco maratonas (42 km) e participado de edições anteriores da própria SP City Marathon. Ele integrava a equipe de corrida Vila Leopoldina Road Runners e era acompanhado pelo treinador Rogério Orban e pela nutricionista Camila Porto.
De acordo com relatos de amigos e profissionais que o acompanhavam, Júlio levava uma rotina focada na saúde: não fumava, consumia pouquíssimo álcool, mantinha alimentação regrada e fazia exames de rotina que, até o ano passado, nunca haviam apontado qualquer alteração cardíaca ou sistêmica.
Na vida profissional, Júlio Barreto atuava como gerente de acesso ao mercado na multinacional Danone e somava mais de 20 anos de carreira no setor farmacêutico, com passagens por empresas como Johnson & Johnson e Abbott.
Como aconteceu o incidente
Segundo amigos que o acompanhavam no evento, Júlio concluiu a prova normalmente, pegou sua medalha, comemorou o feito e conversou com a esposa e a amiga Renata Haquihara. Em seguida, foi ao banheiro acompanhado pelo marido de Renata para trocar de roupa.
Ao retornar, no entanto, começou a se sentir mal. O atleta relatou tontura/enjoo, dor na região do braço e ombro direito, além de suor frio. Ao se dirigir até a estrutura médica em busca de ajuda, Júlio tentou se sentar para aliviar o mal-estar e acabou desmaiando.
Médicos e socorristas presentes iniciaram imediatamente as manobras de reanimação cardíaca ainda no Jockey Club. Em seguida, o corredor foi transferido de ambulância para um hospital da região, mas infelizmente não resistiu. O caso foi registrado como morte natural pelo 7º Distrito Policial (Lapa), da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).
Repercussão e depoimentos
A notícia causou comoção entre amigos, colegas de trabalho e no meio esportivo. O clube Vila Leopoldina Road Runners e o Sinprovesp (Sindicato dos Propagandistas do Estado de São Paulo) emitiram notas lamentando a perda e destacando o companheirismo, a dedicação e o legado deixados por Júlio.
Em nota oficial, a organização da SP City Marathon expressou condolências aos familiares e amigos, informando que não divulgaria novos detalhes em respeito à privacidade da família.
Nas redes sociais, a prestação do serviço de resgate gerou debate entre os participantes. O maratonista Guilherme Marconato e o médico Miguel Carvalho Mas Santacreu — que presenciaram o atendimento — relataram atrasos e falta de equipamentos adequados, como o Desfibrilador Externo Automático (DEA), na primeira ambulância que prestou apoio. Por outro lado, Renata Haquihara, amiga que acompanhou Júlio, afirmou que a família se sentiu prontamente atendida pela equipe de socorro no local.