As prisões foram realizadas após dias intensos de investigação; os suspeitos têm histórico de crimes semelhantes e são apontados como parte de uma quadrilha especializada em roubos de luxo.
A polícia francesa prendeu, neste fim de semana, dois homens suspeitos de envolvimento direto no roubo de joias históricas do Museu do Louvre, em Paris — crime que chocou o mundo no último dia 19 de outubro. A ação criminosa, que durou menos de dez minutos, resultou no furto de peças avaliadas em mais de 88 milhões de euros, pertencentes à coleção de joias da coroa francesa.
Segundo informações divulgadas pela promotoria de Paris, os detidos têm entre 30 e 40 anos e já eram conhecidos das autoridades por envolvimento em roubos organizados e tráfico de bens de luxo. Um dos homens foi preso no aeroporto Charles de Gaulle, quando tentava embarcar para a Argélia, o que levantou suspeitas de fuga. O outro foi localizado em Seine-Saint-Denis, na periferia de Paris, região conhecida por abrigar esconderijos e rotas usadas por quadrilhas da capital.
Operação e investigações
As prisões aconteceram após uma operação coordenada entre a polícia de Paris e a Direção Central da Polícia Judiciária (DCPJ), que desde o assalto vinha analisando imagens de câmeras de segurança, rastros de DNA e movimentações financeiras dos suspeitos. Mais de 100 investigadores participaram da força-tarefa, que contou também com apoio da Interpol, já que as autoridades acreditam que parte das joias pode ter sido enviada para fora da França.
As evidências que levaram às prisões incluem imagens de vigilância próximas ao museu, registros de locação de veículos e movimentações de contas bancárias incompatíveis com a renda dos investigados. Um dos suspeitos também teria sido visto em um vídeo de segurança que mostra a fuga dos ladrões em scooters pela margem do rio Sena.
Histórico dos suspeitos
De acordo com fontes ligadas à investigação, ambos os detidos têm passagens por crimes patrimoniais. O homem preso no aeroporto já havia sido investigado em 2021 por um assalto a uma joalheria no bairro de Saint-Germain-des-Prés, também em Paris. O outro, segundo a polícia, possui ligações com uma rede criminosa internacional especializada em roubo, desmontagem e revenda de pedras preciosas — um tipo de crime que exige logística e conhecimento técnico sobre metais e gemas.
O crime e o impacto
O roubo ocorreu em plena luz do dia, na famosa Galeria d’Apollon, onde estão guardadas algumas das joias mais valiosas do acervo francês. Quatro homens mascarados usaram um caminhão com plataforma elevatória para acessar uma janela lateral do museu, arrombaram vitrines com ferramentas de corte e fugiram em motos, levando tiaras, colares e diademas históricos.
A ousadia e a precisão do assalto indicam um planejamento minucioso e conhecimento detalhado da estrutura interna do Louvre — o que reforça a hipótese de que os presos faziam parte de uma organização criminosa experiente, possivelmente com ajuda interna.
Próximos passos
Os dois suspeitos seguem sob custódia e devem ser interrogados nos próximos dias. As autoridades acreditam que as prisões são apenas o começo de uma operação maior, que busca capturar os outros membros da quadrilha e localizar as joias ainda desaparecidas.
As peças roubadas foram incluídas no banco de dados da Interpol de obras de arte e bens culturais furtados. Já o Museu do Louvre anunciou que está revisando todo o seu protocolo de segurança, após o episódio expor falhas no sistema de monitoramento externo e na vigilância da ala das joias.
Conclusão
As prisões representam um avanço importante em um dos casos mais emblemáticos de roubo de arte dos últimos anos. Ainda assim, as autoridades reconhecem que o maior desafio será recuperar as joias intactas, já que há risco de que tenham sido desmontadas para revenda. O caso segue em investigação e continua mobilizando a França e o mundo.