A volta de Tieta ao horário vespertino do Vale a Pena Ver de Novo tem sido publicada entre telespectadores e artistas, especialmente devido às modificações feitas pela Globo na abertura da novela. A obra, que foi um grande sucesso nos anos 90, foi aclamada pela sua abertura ousada e simbólica, estrelada por Isadora Ribeiro. No entanto, a emissora decidiu realizar ajustes para adaptar a exibição ao novo horário, o que incluiu a remoção de uma das cenas mais emblemáticas da abertura: a de nudez de Ribeiro.
A novela, que estreou originalmente em 1989, foi escrita por Aguinaldo Silva e tem como base o romance Tieta do Agreste , de Jorge Amado. Sua trama gira em torno de Tieta (interpretada por Betty Faria), uma mulher que, após ser expulsa de sua casa e depois humilhada pela família, retorna anos, rica e decidida a se vingar de todos que a fizeram sofrer. No entanto, o que realmente se destacou na estreia foi a abertura, que mesclava imagens de uma natureza exuberante com a sensualidade de Isadora Ribeiro, refletindo a liberdade e a mística do Nordeste brasileiro.
A mudança na edição da abertura, que eliminará a cena de nudez, foi justificada pela Globo como uma adaptação necessária para o horário das 15h, evitando críticas de censura. No entanto, essa alteração gerou descontentamento, especialmente de Isadora Ribeiro, que em entrevista à revista Contigo! expressou seu desagrado. A atriz afirmou que a remoção da cena é uma forma de retrocesso cultural, comparando-a a uma censura. Ela ressaltou que, na época de sua exibição original, a cena foi amplamente aceita e elogiada, tanto pelo público quanto pela crítica, destacando a grandiosidade da obra e a originalidade de sua proposta.
Isadora explicou que a abertura tinha um significado profundo, com seu corpo evocando a natureza e a liberdade, aspectos que eram amplamente celebrados e admirados. Para ela, a mudança na abertura significa não apenas uma alteração em um conteúdo cultural importante, mas uma tentativa de se distanciar de uma obra que, na época, foi pioneira em sua forma de representação e recepção.
Essas mudanças na edição de reprise, como já aconteceram com outras novelas da Globo, geram uma reflexão sobre como a televisão lida com questões culturais, estéticas e de audiência. A decisão de cortar partes críticas consideradas “impróprias” para o horário das 15h é uma prática que se repete em outras produções, como Mulheres de Areia , mas para muitos, a questão vai além da censura e toca em uma mais ampla à preservação da identidade original das obras e seu valor cultural.

TV Globo/Divulgação