Método contraceptivo subdérmico de longa duração passa a integrar políticas locais em paralelo à incorporação nacional pelo SUS
A partir de setembro de 2025, a Prefeitura de Salvador ampliou o acesso ao método contraceptivo Implanon — um implante subdérmico de etonogestrel — disponibilizando-o gratuitamente em mais de 20 unidades de saúde da rede municipal. A medida atende grupos prioritários, definidos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), focando especialmente pessoas que enfrentam maiores barreiras para acesso a métodos contraceptivos seguros.
Como funciona o Implanon
- O Implanon é um bastão pequeno, inserido abaixo da pele, normalmente no braço, em procedimento com anestesia local. Ele libera etonogestrel, hormônio sintético que atua de duas formas principais: inibindo a ovulação e tornando o muco cervical menos favorável à passagem de espermatozoides.
- A eficácia é alta, e o implante dura até três anos. Após esse período, ele pode ser removido, e se a pessoa desejar, um novo pode ser colocado. A fertilidade volta rápido após retirada.
O que Salvador oferece localmente
- A SMS habilitou mais de 20 unidades de saúde para aplicar o Implanon.
- O acesso nesta etapa será restrito a grupos prioritários, pessoas com maiores dificuldades para uso de métodos contraceptivos mais comuns.
- Informações sobre quais unidades participam e quais grupos são atendidos pela programação local estão disponíveis no site da SMS de Salvador.
A política nacional: SUS incorpora Implanon
Salvador se insere em um momento maior de política pública do Brasil. Em julho de 2025, o Ministério da Saúde aprovou, via a CONITEC, a incorporação do Implanon no Sistema Único de Saúde (SUS).
- O objetivo é distribuir 1,8 milhão de implantes até 2026, sendo 500 mil já em 2025. O investimento será de cerca de R$ 245 milhões.
- Até o momento da incorporação, o Implanon pelo SUS era ofertado somente a alguns grupos específicos (mulheres vivendo com HIV/AIDS em uso de dolutegravir, pessoas em situação de rua, mulheres privadas de liberdade, trabalhadoras do sexo, pessoas em uso de talidomida ou em tratamento de tuberculose com certos remédios).
- Com a nova política, mulheres entre 18 e 49 anos poderão usar o método como opção regular de contracepção reversível de longa duração.
- Em setembro de 2025, as primeiras unidades do Implanon já chegaram ao Ministério da Saúde — mais de 100 mil implantes mais 100 kits de treinamento para profissionais que farão inserção.
Importância:
- O Implanon representa um avanço no leque de opções contraceptivas no Brasil, porque é eficiente, duradouro e de uso prático (não depende de lembrança diária ou uso contínuo, como ocorre com pílulas ou injetáveis).
- Ele pode ajudar a reduzir gravidezes não planejadas, um tema importante tanto para saúde pública quanto para direitos reprodutivos.
- Contribui para a diminuição da mortalidade materna, especialmente quando se melhoram condições de acesso e atendimento, coisa que políticas desse tipo visam alcançar.
Desafios:
- Capacitação de profissionais de saúde para inserir e retirar o implante, atualização de diretrizes clínicas, logística de distribuição e armazenamento.
- Garantir que a oferta chegue a todas as regiões, inclusive as mais remotas ou com estrutura de saúde mais fraca.
- Comunicação efetiva com a população, para que as mulheres conheçam essa opção, seus benefícios e possíveis efeitos adversos — para que possam decidir com informação.
Salvador está adiantando parte do que já foi decidido no nível nacional: disponibilizar o Implanon de forma gratuita e ampliar o acesso aos métodos contraceptivos. Com a rede municipal oferecendo o serviço a grupos prioritários e com o SUS estabelecendo padrões para oferta ampla, trata-se de um momento importante para saúde pública, planejamento reprodutivo e direitos das mulheres.