Nova medida anunciada por Donald Trump eleva alíquota de importação sobre alimentos e commodities brasileiros, enquanto governo brasileiro acelera negociações e implementa plano de apoio a setores mais afetados.
Nesta quarta‑feira, 6 de agosto de 2025, entrou em vigor a nova alíquota de importação dos Estados Unidos que aplica 50% de tarifa sobre quase 36% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte‑americano. A sobretaxa de 40 pontos percentuais, somada à tarifa-base de 10% já vigente desde abril, é parte da estratégia de Donald Trump de pressionar o Brasil em meio a divergências políticas e acusações de abuso à democracia no contexto do julgamento contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro.
Segundo dados oficiais, a tarifa incide sobre cerca de US$ 14,5 bilhões em exportações brasileiras ao longo de 2024, o que equivale a 4% do total das exportações do país. A aplicação afeta setores-chave como café, carnes bovina e suína, frutas, açúcar, etanol, cacau e pescados, que enfrentam forte impacto com a sobretaxa.
Por outro lado, aproximadamente 700 produtos estão isentos da alíquota extra, permanecendo com a tarifa-base de 10%. Entre os itens dispensados estão suco de laranja, celulose, fertilizantes, combustíveis (petróleo, gás), aeronaves civis e seus componentes, bem como outros produtos energéticos e minerais.
Trump justificou a medida sob o argumento de “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, política externa e economia dos EUA”, em razão de supostas práticas brasileiras contra empresas e cidadãos estadunidenses, e o tratamento dado no Brasil ao ex‑presidente Bolsonaro foi classificado como perseguição política e cerceamento de direitos institucionais. A ação intensificou uma crise diplomática entre os países, iniciada no início de 2025 e marcada por declarações de líderes, ações bilaterais e reações em blocos como BRICS e União Europeia.
O vice‑presidente Geraldo Alckmin destacou que a nova tarifa atinge apenas uma parcela das exportações, representando cerca de 36% das vendas ao mercado americano. O governo federal prepara um plano de contingência, incluindo linhas de crédito, contratos públicos e apoio a pequenos produtores afetados, a ser anunciado nos próximos dias pelo presidente Lula, com medidas que devem chegar via Medida Provisória ao Congresso.
Além disso, o Brasil iniciou negocições com os Estados Unidos, com expectativa de diálogo técnico ainda nesta semana e possível reunião entre Lula e autoridades americanas na próxima semana. Há diálogo também sobre a inclusão de produtos como café e carne na lista de exceções à sobretaxa, considerando que dificilmente os EUA substituirão fornecedores brasileiros dessas commodities.
Relatórios do UBS BB indicam que a medida pode reduzir o crescimento do PIB brasileiro em até 0,6 ponto percentual, caso parcela significativa das exportações afetadas não consiga ser realocada. A Federação da Indústria de Minas Gerais (Fiemg) estima que os efeitos podem comprometer até 147 mil empregos e provocar perdas de US$ 25,8 bilhões no curto prazo e até US$ 110 bilhões no longo prazo.
A reação do Brasil inclui esforços de diversificação de mercados exportadores, especialmente voltando-se para Ásia, Europa e também fortalecendo a atuação dentro do Brasil. A estratégia busca minimizar vulnerabilidades a medidas protecionistas externas