Abalo destrói vilarejos nas províncias montanhosas de Kunar e Nangarhar e aumenta pedido por ajuda humanitária
Na noite de domingo, 31 de agosto de 2025, às 23h47 (horário local), um forte terremoto de magnitude 6,0, com epicentro a 27 km de Jalalabad e a apenas 8 km de profundidade, devastou a região leste do Afeganistão, especialmente nas províncias de Kunar e Nangarhar.
As construções locais, geralmente feitas de barro, pedra e madeira, não tinham resistência a tremores tão rasos — e em áreas montanhosas, deslizamentos enterraram casas inteiras, transformando vilarejos em escombros. A maior parte das vítimas se concentrou em Kunar, com pelo menos 800 mortos e entre 2.500 e 2.800 feridos, segundo autoridades locais do governo Talibã. Na província vizinha de Nangarhar, foram confirmadas outras 12 mortes e cerca de 255 feridos.
Após o tremor principal, ocorreram réplicas, incluindo magnitudes 4,5 e 5,2, ampliando o temor e os danos em regiões remotas já fragilizadas. Equipes de resgate enfrentam grandes desafios: estradas bloqueadas por deslizamentos, áreas inacessíveis sem rede de comunicação, e hospitais superlotados.
Governantes locais e voluntários arregaçaram as mangas: helicópteros da administração talibã realizaram ao menos 40 voos, transportando cerca de 420 vítimas a hospitais regionais e capital. Equipes médicas, civis e militares foram mobilizadas, e voluntários — inclusive doando sangue nas províncias afetadas — se uniram aos esforços de socorro.
O governo do Talibã fez um apelo internacional urgente por ajuda humanitária, diante de seus recursos escassos e cortes severos de assistência estrangeira desde 2021. A ONU, organizações como UNICEF e Cruz-Verde, além de países como Índia e Irã, anunciaram envio de suprimentos médicos, tendas e alimentos. A China também se colocou à disposição para contribuir.
Este é o terceiro grande terremoto mortal ocorrido no país desde a retomada do poder pelo Talibã em 2021, após tremores devastadores em Herat (outubro de 2023) e Paktika (junho de 2022) — todos ressaltam a vulnerabilidade sísmica da região da cordilheira Hindu Kush.
O que torna esse desastre ainda mais grave?
- A baixa profundidade do tremor fez com que o impacto fosse muito mais destrutivo do que tremores semelhantes em áreas mais profundas.
- Muitas comunidades estão isoladas por relevo montanhoso e estradas danificadas, o que dificulta a chegada de ajuda.
- A fragilidade das construções rurais — casas de barro e pedra sem reforço — contribuiu para um colapso quase total em vários vilarejos.
- A limitada capacidade do governo local e a queda drástica da ajuda internacional agravam a crise.