Festival traz grandes nomes, consumo urbano dispara e movimenta R$ 2,2 bilhões apesar de queda na presença física
O The Town 2025, realizado entre os dias 6 e 14 de setembro no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, encerrou sua segunda edição com uma combinação interessante: menos público, mas impacto econômico recorde para a cidade. O evento reuniu cerca de 420 mil pessoas em cinco dias, uma queda em relação ao meio milhão registrado em 2023 e aquém da expectativa de 100 mil por dia.
Apesar da redução no público, o festival teve desempenho financeiro surpreendente. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que a movimentação gerada pelo evento chegou a R$ 2,2 bilhões, superando os R$ 1,7 bilhão da primeira edição. A alta no consumo na capital foi de 21%, e o Airbnb registrou crescimento de 240% nas reservas durante os dias do festival.
Edições e estrutura
Criado por Roberto Medina, idealizador do Rock in Rio, o The Town já se consolidou como um festival urbano de destaque, mantendo cronograma bianual (anos ímpares em São Paulo, pares com Rock in Rio).
A edição 2025 contou com cinco dias de shows, cada um com line-ups potentes que misturaram atrações internacionais e brasileiras. A abertura trouxe Travis Scott, seguido por dias com nomes como Green Day, Backstreet Boys, Mariah Carey, Katy Perry, Camila Cabello, J Balvin, entre outros. Artistas nacionais como Ivete Sangalo, Luísa Sonza, Jordan Collier, Pitty, Criolo, e IZA também marcaram presença, distribuídos em palcos com cenografia temática e diversos gêneros musicais.
Números curiosos do festival
Durante os dias de evento, o festival registrou algumas estatísticas curiosas: foram cerca de 80 mil pessoas nos brinquedos, 100 shows em total, 14 horas de música por dia, além de 106.624 hambúrgueres consumidos e 177.017 litros de chope servidos no local.
Infraestrutura e experiência
O festival funcionou das 12h às 2h da madrugada, com última entrada permitida até meia-noite. Realizado no Autódromo de Interlagos, o evento distribuiu público por cinco palcos temáticos — Skyline, The One, Factory, Quebrada e São Paulo Square — e o espaço “The Tower”, com shows simultâneos e áreas de convivência, food courts e ativações de marca.
Para se chegar ao festival, a linha 9 da CPTM levou os participantes até a estação Autódromo, a cerca de 800 metros do local. Durante o evento, os trens circularam 24 horas. O pagamento no interior do festival foi quase totalmente digital (débito, crédito ou Pix); transações em dinheiro exigiam cartão pré-pago exclusivo do evento.
Análise da edição
Apesar do público menor, críticos e especialistas avaliaram o festival como bem sucedido do ponto de vista econômico e estratégico. Enquanto 2023 trouxe maior presença física, em 2025 houve mais consumo por participante, mais visibilidade midiática e maior retorno turístico. Além disso, os parceiros oficiais e a prefeitura reforçaram a modalidade público-privada do evento.
A organização também anunciou que a próxima edição do Rock in Rio será em 2026 — com datas confirmadas no início de setembro — consolidando o calendário musical bienal no Brasil.
Em síntese
O The Town 2025 revelou-se um festival que, mesmo com público reduzido, conseguiu reforçar sua força como negócio cultural. Com line-up diversificado, experiência de palco e estrutura aprimorada, o evento elevou o impacto econômico para R$ 2,2 bilhões e mostrou que qualidade e engajamento do público podem superar a quantidade. Agora, o foco se volta à edição 2027 do festival em São Paulo — e ao retorno do Rock in Rio em 2026.