Nova ferrovia promete revolucionar transporte na Bahia, encurtar distâncias e fortalecer a economia regional
O projeto da ferrovia ligando Salvador a Feira de Santana deu um passo decisivo nesta semana: a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a proposta e encaminhou sua inclusão nas prioridades do governo federal. O empreendimento é considerado um marco para a mobilidade na Bahia e deve mudar a forma como milhares de pessoas se deslocam diariamente entre a capital e o interior.
De acordo com informações oficiais, o trem de passageiros e cargas terá um traçado inicial de cerca de 108 quilômetros, conectando duas das cidades mais importantes do estado. Salvador, com mais de 3 milhões de habitantes, e Feira de Santana, polo comercial e logístico que concentra quase 620 mil pessoas, terão um elo ferroviário moderno, com capacidade para transportar não apenas passageiros, mas também insumos industriais e agrícolas.
Um sonho antigo dos baianos
A ideia de construir um trem rápido entre as duas cidades não é nova. O projeto vem sendo discutido há mais de uma década, mas agora, com o aval da ANTT, ganha força no plano nacional de infraestrutura. A obra está sendo incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que garante prioridade e maior viabilidade de recursos federais.
Impactos na mobilidade e na economia
O trajeto Salvador–Feira concentra diariamente um dos maiores fluxos rodoviários do país, especialmente pela BR-324, que sofre com congestionamentos e altos índices de acidentes. A implantação do trem deve aliviar o tráfego, reduzir o tempo de deslocamento e proporcionar maior segurança para quem viaja entre as duas cidades.
Estudos preliminares indicam que a viagem, que hoje pode levar de 2 a 3 horas em horários de pico por rodovia, será reduzida para menos de 1 hora com o novo modal. Além disso, o transporte ferroviário deve oferecer tarifas mais acessíveis e regulares, fortalecendo a integração entre trabalho, estudo e lazer.
No campo econômico, a ferrovia pode impulsionar o escoamento de mercadorias, já que Feira de Santana é conhecida como “Portal do Sertão” e concentra centros de distribuição que abastecem todo o interior nordestino. A expectativa é que a linha também seja integrada ao Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), ampliando ainda mais sua importância logística.
Sustentabilidade em pauta
Outro ponto destacado pelo governo é a redução de impactos ambientais. O transporte ferroviário emite menos poluentes que os automóveis e ônibus, contribuindo para a diminuição da emissão de gases de efeito estufa. Especialistas ressaltam que esse tipo de investimento vai ao encontro das metas globais de mobilidade sustentável e transporte limpo.
Próximos passos
Após a aprovação da ANTT, o projeto segue para detalhamento técnico e modelagem financeira. O governo estuda se a obra será feita por meio de parceria público-privada (PPP) ou concessão à iniciativa privada, com contrapartidas do Estado. A expectativa é que, ainda em 2025, o edital de licitação seja lançado.
Caso os prazos sejam cumpridos, o trem Salvador–Feira pode se tornar realidade já na próxima década, mudando para sempre a rotina dos baianos.