A série lançada pela Prime Video revisita casos de grande repercussão que se concentraram no presídio de Penitenciária de Tremembé (SP) — e traz à tona o que os condenados estão fazendo, como vivem e até que ponto os fatos retratados são reais.
A nova série “Tremembé”, estreada no dia 31 de outubro pela plataforma Prime Video, reacende a curiosidade do público por saber: afinal, onde estão hoje os presos que cometeram crimes que chocaram o Brasil?
O foco é o complexo prisional da Penitenciária de Tremembé, em São Paulo — tradicionalmente chamado de “presídio dos famosos”, por abrigar detentos de grande repercussão nacional. A produção adapta os livros do jornalista Ullisses Campbell (“Elize Matsunaga: A mulher que esquartejou o marido” e “Suzane: assassina e manipuladora”) e investiga não somente os crimes, mas também o período após a condenação: o cumprimento da pena e o retorno à sociedade.
Quem são eles e o que fazem hoje
Dentre os nomes retratados:
- Suzane von Richthofen foi condenada pelo assassinato de seus próprios pais em 2002. A pena original de 39 anos, depois reduzida, foi parcialmente cumprida: ela está em regime aberto desde janeiro de 2023. Atualmente, colocou em funcionamento um microempreendimento de artesanato chamado “Su Entrelinhas”, vende chinelos personalizados pela internet e retomou os estudos de Direito.
- Os irmãos Daniel Cravinhos e Cristian Cravinhos, que participaram do assassinato dos pais de Suzane, cumprem regime aberto (Daniel desde 2018 e Cristian desde 2024/2025). Daniel trabalha com customização de motos; Cristian, em liberdade condicional, também segue fora da cadeia.
- Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido em 2012, deixou o regime fechado e está em liberdade condicional desde maio de 2022. Vive discretamente no interior de São Paulo, já atuou como motorista de aplicativo e trabalha com roupas e acessórios para pets.
- Outros personagens que aparecem na série são Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá (condenados no caso da menina Isabella), além de Roger Abdelmassih (ex-médico condenado por múltiplos estupros) — todos com destaque por terem cumprido pena ou ainda estarem sob vigilância após regimes de progressão.
Ficção ou realidade?
Embora a série afirme seguir essencialmente a versão da acusação do Ministério Público e sentença dos casos — segundo os roteiristas, não a versão da defesa —, ela faz uso de recursos de dramatização e algumas cenas são ficcionais ou têm nomes alterados para preservar direitos.
Um dos pontos polémicos: a cena na qual Suzane aparece denunciando assédio por parte de um promotor. A produção retrata que ela teria acusado o promotor Eliseu José Berardo Gonçalves de assédio sexual, o que de fato teve desdobramentos reais — ele foi punido com suspensão por 22 dias em 2010 pela corregedoria. Entretanto, há controvérsias sobre a forma como o episódio é dramatizado.
Por que “Tremembé”?
O título faz referência ao presídio de Tremembé porque o local, além de abrigar presos comuns, tornou-se símbolo no Brasil de detentos de grande repercussão — o que torna o ambiente palco para reflexões sobre o sistema penal, a reintegração social e a curiosidade pública.
Também chama atenção para a estrutura do sistema carcerário brasileiro, marcado por superlotação, desigualdade de tratamento e questionamentos sobre eficácia da pena e ressocialização.
Além do entretenimento, “Tremembé” levanta questões importantes: como uma sociedade lida com casos extremos de criminalidade e o que ocorre depois que a prisão “acaba”? O que significa para quem ficou preso por décadas encarar a liberdade num mundo que mudou? E a que ponto o espetáculo mediático (séries, documentários, livros) transforma o crime em produto de consumo? Espera-se que o público não apenas assista, mas reflita.