O Lenacapavir promete transformar a prevenção com apenas duas doses por ano, mas especialistas alertam sobre quem já pode usar e como será a chegada ao SUS.
A ciência deu um passo gigante na luta contra o HIV. Recentemente, ganhou destaque o Lenacapavir, um medicamento injetável que promete revolucionar a forma como as pessoas se protegem do vírus. Diferente da PrEP tradicional (Profilaxia Pré-Exposição), que exige a ingestão diária de um comprimido, essa nova tecnologia precisa ser aplicada apenas duas vezes por ano.
Mas, afinal, como isso funciona e quem realmente pode se beneficiar dessa novidade? Fomos atrás de detalhes para explicar essa inovação de um jeito simples.
O que é o Lenacapavir e como ele age?
O Lenacapavir é um inibidor de capsídeo. Em termos simples, ele impede que o vírus HIV monte sua “armadura” protetora, o que trava a sua multiplicação no organismo. A grande vantagem é que ele é um medicamento de longa duração. Uma única aplicação subcutânea (embaixo da pele) mantém níveis protetores no sangue por seis meses.
Em estudos recentes de fase 3, conhecidos como Purpose 1 e Purpose 2, o medicamento mostrou uma eficácia impressionante, chegando a quase 100% de proteção em grupos de mulheres cisgênero, homens que fazem sexo com homens e pessoas trans.
Quem pode usar a nova injeção?
Apesar do entusiasmo, não é todo mundo que pode sair tomando a injeção agora. O foco principal é a PrEP, ou seja, pessoas que não têm o vírus, mas estão em situações de maior vulnerabilidade à infecção.
Segundo médicos infectologistas, o Lenacapavir é ideal para:
- Pessoas que têm dificuldade em manter a rotina de tomar um comprimido todos os dias.
- Grupos com maior risco de exposição ao vírus.
- Pessoas que sofrem com efeitos colaterais gastrointestinais dos comprimidos tradicionais.
Importante: Antes de iniciar qualquer forma de PrEP, é obrigatório realizar testes para garantir que a pessoa não possui o vírus HIV, pois o uso da medicação preventiva em alguém já infectado pode causar resistência viral.
Quando chega ao SUS?
Esta é a pergunta que todos fazem. No Brasil, o medicamento já recebeu sinal verde da Anvisa, mas a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda segue um processo burocrático e financeiro.
O governo brasileiro está em negociações para conseguir um preço acessível, já que o custo original do medicamento é muito alto. A expectativa é que, após a análise da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), o remédio comece a ser distribuído gratuitamente para grupos prioritários, assim como já acontece com as versões em comprimido.
O fim da camisinha?
Os especialistas são categóricos: não. Embora a injeção seja extremamente eficaz contra o HIV, ela não protege contra outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia e herpes. Portanto, a prevenção combinada — uso de preservativos e métodos biomédicos — continua sendo a melhor estratégia de saúde pública.