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Anok Yai é Eleita Modelo do Ano e Faz Apelo Emocionante pela Paz no Sudão

Reprodução/Instagram/@anokyai
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No palco do Fashion Awards, a supermodelo de origem sudanesa celebrou a representatividade negra e usou sua vitória para implorar ao mundo que “não desvie o olhar” da crise humanitária que atinge sua família.

O mundo da moda tem uma nova rainha, e ela usa sua coroa para muito mais do que beleza. A modelo sudanesa-americana Anok Yai, de 27 anos, foi consagrada a Modelo do Ano de 2025 pelo British Fashion Council (BFC) durante o prestigioso Fashion Awards realizado em Londres no dia 1º de dezembro. Sua vitória não apenas celebra sua trajetória meteórica nas passarelas, mas também marca a ascensão de uma voz inegavelmente poderosa na indústria.

Em um discurso de agradecimento que tocou a todos no Royal Albert Hall, Anok Yai não hesitou em usar o seu holofote para falar de representatividade e dor.


A Jornada da Descoberta e a Quebra de Barreiras

A história de Anok Yai é um testemunho de resiliência e do poder do acaso. Ela nasceu no Cairo, no Egito, logo após sua família ter fugido do genocídio no Sudão. Ainda criança, mudou-se para os Estados Unidos, onde se formou no ensino médio e chegou a cursar Bioquímica na universidade, com a intenção inicial de se tornar médica.

O destino, no entanto, tinha outros planos. Em 2017, durante um festival universitário, um fotógrafo profissional tirou uma foto sua e a publicou no Instagram. A imagem viralizou instantaneamente, acumulando mais de 20 mil curtidas em poucas horas e atraindo o interesse de diversas agências. O que era uma simples foto se transformou em um contrato e, quatro meses depois, em um feito histórico: Anok se tornou a segunda modelo negra a abrir um desfile da Prada, um dos maiores marcos da alta costura, algo que não acontecia desde Naomi Campbell em 1997.

Desde então, sua carreira decolou, transformando-a em uma New Super (Nova Supermodelo) para o Models.com, estrelando campanhas globais para grifes como Versace, Saint Laurent, Fendi e Louis Vuitton, além de ser o rosto da fragrância Alien, da Mugler, e estampar inúmeras capas da Vogue internacional.

Uma Mensagem de Força e Dignidade

Ao receber o prêmio máximo da noite, Anok Yai não deixou de lado a importância de sua cor e origem, enviando uma mensagem de empoderamento direto para meninas negras ao redor do mundo.

“Ser nomeada Modelo do Ano é uma grande honra. Minha jornada – do Egito ao Sudão do Sul e aos Estados Unidos – é uma história de resiliência e de uma comunidade. Este reconhecimento é para todos que já se identificaram com a minha história,” disse a modelo, antes de cravar uma mensagem inspiradora:

“Sua cor não é uma maldição. Você não é uma tendência, você não é infeliz. Você é digna, você é capaz e você é mais poderosa do que você pode imaginar. Muito obrigada. Eu vejo você.”

O discurso ganhou um tom ainda mais urgente quando Anok Yai ampliou o foco para a crise humanitária no seu país de origem. Em um apelo emocionado, ela implorou por ajuda para o Sudão, onde um conflito brutal afeta milhões de vidas, incluindo a de sua própria família. “Eu quero fazer uma ligação para o meu governo e que ele faça a coisa certa para o meu povo. E para aqueles que estão assistindo, eu peço que você não desvie o olhar. Minha família está morrendo, eu não sei o que fazer,” concluiu, transformando um palco de glamour em uma plataforma de ativismo.

A consagração de Anok Yai é, portanto, mais do que um prêmio de moda; é o reconhecimento de que a beleza e a influência podem e devem ser usadas para dar voz a quem precisa, e um lembrete poderoso de que a representatividade não é uma tendência passageira, mas um movimento de mudança global.