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Vacinas contra o câncer: avanços disruptivos apontam nova era na oncologia

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Da prevenção ao tratamento: vacinas terapêuticas e universais estão revolucionando o combate ao câncer com tecnologia de RNA mensageiro e estratégias personalizadas

Nos últimos meses, a corrida científica por vacinas contra o câncer ganhou novo impulso, unindo tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), inteligência artificial e abordagens personalizadas que prometem transformar o tratamento oncológico — com potencial para vencer tumores antes incuráveis.

1. Vacinas universais com mRNA: uma resposta genérica para tumores diversos

Pesquisadores da Universidade da Flórida apresentaram um estudo publicado na revista Nature Biomedical Engineering que demonstra como uma vacina experimental baseada em mRNA, combinada a imunoterapia com inibidores de checkpoint (como anti‑PD‑1), conseguiu eliminar tumores em camundongos com câncer de pele, cérebro e ossos. A fórmula estimula o sistema imune a agir como se estivesse combatendo um vírus e aumenta a expressão de PD‑L1 no tumor, tornando-o mais vulnerável à resposta imune. Os resultados indicam que essa estratégia pode ser um primeiro passo para uma vacina “universal”, eficaz contra diferentes tipos de câncer.

Essa tecnologia, apelidada de “one‑two‑punch vaccine”, mostrou-se eficaz também em modelos resistentes à imunoterapia, apontando para outro futuro promissor no tratamento tumoral prolongado.

2. Vacinas personalizadas: mRNA e neoantígenos sob medida

Empresas como BioNTech, Moderna e Transgene avançam em vacinas terapêuticas individualizadas. A Autogene cevumeran, desenvolvida por BioNTech e Genentech, codifica até 20 neoantígenos específicos do tumor do paciente, com objetivo de evitar recaídas após cirurgia em câncer de cabeça e pescoço. Já a Moderna, em parceria com a MSD (Merck), reportou que uma vacina para melanoma em fase 2 reduziu em 49% o risco de morte ou recidiva e está nos estudos de câncer de pulmão e bexiga.

Além disso, evidências clínicas em pacientes com câncer de pâncreas mostraram respostas imunológicas duradouras. Em um estudo, pacientes que responderam ao imunizante personalizado permaneceram livres de recidiva por até sete anos; em alguns casos, mais de 85% dos clones de células T permaneciam ativos três anos após a vacinação.

3. Iniciativas globais e investimentos públicos e privados

No Reino Unido, a Folha de S.Paulo destacou testes clínicos da vacina BNT116, desenvolvida pela BioNTech e aplicada em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC). Aproximadamente 130 voluntários em ensaios de fase 1 foram recrutados em sete países, objetivando estimular resposta imune específica com menos efeitos adversos que a quimioterapia.

Outro grande investimento veio da farmacêutica GSK, que firmou parceria de £50 milhões com a Universidade de Oxford para explorar vacinas de prevenção contra cânceres, com foco em neoantígenos detectados precocemente e uso de mRNA — um esforço para impedir que células pré‑cancerígenas evoluam para tumores.

4. Rússia e vacinas do tipo oncolítica e mRNA gratuito em 2025

A Rússia anunciou que pretende iniciar em 2025 a distribuição gratuita de duas vacinas contra o câncer: uma personalizada com tecnologia mRNA e outra chamada EnteroMix, baseada em quatro vírus não patogênicos capazes de destruir células tumorais e ativar a imunidade antitumoral. A seleção de participantes para testes clínicos já começou, com previsões de redução de até 80% no volume tumoral em estudos pré‑clínicos.

5. Iniciativas sociais e a coalização americana por vacinas

A ex-jornalista Kristen Dahlgren fundou a Cancer Vaccine Coalition, uma iniciativa sem fins lucrativos apoiada pelo financiamento de familiares e do Departamento de Defesa dos EUA. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de vacinas e conscientizar a população sobre seu potencial enquanto poucos projetos avançam para aprovação clínica.

Panorama e perspectivas

  • A próxima década pode marcar a transição de terapias convencionais (cirurgia, quimioterapia) para imunoterapias baseadas em vacinas, com possíveis aprovações clínicas entre 2026‑2030.
  • O conceito de vacina universal, que atua independentemente de mutações individuais, pode se tornar uma estratégia escalável em larga escala.
  • As vacinas individualizadas com neoantígenos codificados via mRNA, combinadas a IA para seleção otimizada dos alvos, indicam uma era de tratamentos sob medida.
  • Investimentos governamentais e grandes parcerias (como GSK-Oxford) dão impulso à pesquisa preventiva, em especial em tumores pré-cancerígenos.
  • Desafios regulatórios, éticos e de custo persistem, especialmente quando se busca vacinas acessíveis e sem efeitos adversos relevantes.