Iniciativa da produtora da atriz norte-americana com a editora Todavia quer dar projeção internacional a autores nacionais e abrir portas para adaptações no cinema e na TV
A literatura afro-brasileira acaba de ganhar um aliado de peso no cenário internacional. A Ashé Ventures, produtora fundada pela aclamada atriz norte-americana Viola Davis, anunciou uma parceria estratégica com a editora nacional Todavia. O objetivo principal do acordo é apoiar, traduzir e ampliar o alcance de histórias de autores negros do Brasil tanto no mercado interno quanto no exterior.
Além de Viola Davis, a Ashé Ventures tem como sócios o produtor Julius Tennon (marido da atriz) e o empresário brasileiro Maurício Mota, que já atua no mercado criativo dos Estados Unidos há mais de 15 anos. A proposta da parceria é flexível e varia conforme a necessidade de cada obra: o apoio pode ir desde prefácios escritos pela própria Viola Davis até grandes ações de lançamento e facilitação de contratos para edições e traduções no mercado norte-americano, que historicamente é muito fechado para livros estrangeiros.
Mais do que apenas publicar livros, o projeto tem um forte viés comercial e mira também as telas. A intenção é transformar essas narrativas em projetos viáveis globalmente, abrindo portas para adaptações audiovisuais (como filmes e séries) voltadas ao público dos Estados Unidos. Entre os planos que já estão saindo do papel, destaca-se a série “Meninas que Voam”, focada nas trajetórias de atletas brasileiras, incluindo um projeto audiovisual em andamento sobre a ginasta Daiane dos Santos.
O pontapé inicial dessa parceria na literatura será o romance “Velha Guarda”, da escritora paulistana Lilia Guerra (autora de obras conhecidas como “O Céu para os Bastardos” e “Perifobia”). O livro, que tem lançamento previsto pela editora, já começou a ter trechos traduzidos para o inglês para ser apresentado ao mercado global. Em depoimento, Viola Davis e Julius Tennon reforçaram que o projeto nasceu de um encanto genuíno pela potência cultural e pelas vivências das histórias afro-brasileiras, apontando que Lilia representa exatamente o tipo de voz que a produtora deseja ecoar pelo mundo.