Humorista compartilha como o diagnóstico de altas habilidades mudou sua visão sobre criatividade, percepção emocional e desafios nos relacionamentos
O humorista Whindersson Nunes, de 30 anos, revelou em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, que foi diagnosticado com altas habilidades — ou superdotação — durante internação voluntária em uma clínica psiquiátrica no início de 2025 para tratamento de dependência de álcool e crise profunda de depressão.
Segundo Whindersson, a descoberta veio a partir de uma avaliação neuropsicológica realizada durante o tratamento. Seu QI foi medido em 138, bem acima da média de 96 a 101, o que confirmou a condição de superdotação. A neuropsicóloga Carolina Mattos, que participou do diagnóstico, explicou que pessoas com altas habilidades desenvolvem pensamentos mais acelerados, intensa sensibilidade e questionamentos constantes sobre si e o mundo.
Whindersson, que já havia enfrentado episódios de depressão desde 2017, relatou que sempre se sentiu diferente na infância, destacando como suas emoções eram intensas e sua percepção artística aguçada. Contudo, essas qualidades também contribuíram para conflitos emocionais e dificuldades nos relacionamentos: ele citou impulsividade e rotinas diferentes como obstáculos em sua vida afetiva.
Sobre a condição, o artista disse que ela traz mais desvantagens do que vantagens: “Hoje eu não estou mais pensando em vencer, em ser o primeiro… saber que aqui é uma passagem, é um tempo, mas é pequeno perto da imensidão”, refletiu ele.
Ele também compartilhou que continua em tratamento psiquiátrico com uso de medicação, reduziu o tempo de tela e está evitando o consumo de álcool.
O que é superdotação e como afeta a saúde mental?
A superdotação é identificada por meio de testes de QI e observações comportamentais, indicando habilidades intelectuais e emocionais acima da média, muitas vezes acompanhadas de sensibilidade extrema, criatividade e capacidade narrativa — o que pode explicar seu talento artístico no humor.
Especialistas alertam que a superdotação não é sempre benéfica: a intensa carga cognitiva e emocional pode levar a quadros de ansiedade, depressão, dificuldades de socialização e, em alguns casos, compulsão ou dependência emocional ou comportamental. No caso de Whindersson, essa condição parece ter contribuído para a sensação de “fundo de poço” e encerramentos de relacionamentos.
A importância do autoconhecimento
Whindersson dividiu que o diagnóstico foi um divisor de águas: ele passou a compreender melhor seus padrões mentais, o porquê de certas crises emocionais e os altos e baixos criativos que vive. Ele afirmou que hoje busca mais equilibrar sua vida do que competir — valorizando presença e centramento no presente.
Em sua trajetória, ele defende a importância de buscar ajuda especializada — psiquiatria, terapia, avaliação neuropsicológica — e desmistifica o mito de que superdotados não enfrentam sofrimento. Sua história abre caminho para o debate sobre neurodivergência e a necessidade de acolhimento emocional mesmo em pessoas com alto desempenho intelectual.