Mesmo impulsionado pelos baixos índices de desemprego, país ocupa a 65ª colocação entre 70 nações avaliadas; burocracia, carga tributária e infraestrutura pesam contra o mercado nacional
O Brasil registrou uma queda em seu desempenho econômico global e perdeu posições no Ranking de Competitividade Mundial. De acordo com o relatório anual que avalia a capacidade das nações de criar e manter um ambiente favorável para os negócios e o crescimento sustentável, o país passou a ocupar o 65º lugar em uma lista composta por 70 países. O recuo acende um alerta entre analistas financeiros, que apontam gargalos históricos que continuam travando o pleno desenvolvimento do mercado brasileiro diante de concorrentes internacionais.
O resultado negativo ocorre em um momento de aparente contradição interna. O relatório destaca que o Brasil apresentou indicadores positivos no mercado de trabalho doméstico, puxado por uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e pelo aumento do consumo das famílias. No entanto, o bom momento do emprego não foi suficiente para compensar as deficiências estruturais do país. A eficiência do governo, o ambiente de negócios complexo e a morosidade institucional anularam os ganhos gerados pelas vagas de trabalho criadas nos últimos meses.
Entre os principais fatores que puxaram a nota do Brasil para baixo estão a elevada carga tributária, a burocracia excessiva para a abertura e manutenção de empresas, além do alto custo de capital e das deficiências crônicas na infraestrutura de transportes e logística. O estudo aponta que o “Custo Brasil” continua encarecendo a produção nacional e afugentando investimentos estrangeiros diretos de longo prazo, fazendo com que o país perdesse espaço para outras economias em desenvolvimento que vêm adotando reformas administrativas mais ágeis.
Para reverter essa trajetória e escalar posições nos próximos anos, especialistas econômicos reforçam a necessidade urgente de focar na produtividade da mão de obra e na simplificação do sistema de impostos. O relatório conclui que o crescimento sustentável de um país não depende exclusivamente da criação de postos de trabalho temporários ou sazonais, mas sim da construção de um ambiente jurídico e fiscal seguro, previsível e competitivo em escala global.