Com avanço rápido e falta de recursos, o Centro de Controle de Doenças da África tenta conter uma rara cepa do vírus que já provocou centenas de infecções e mortes na região.
A República Democrática do Congo enfrenta uma situação de extrema gravidade na saúde pública que preocupa autoridades internacionais. O Centro de Controle de Doenças da África (CDC da África) alertou que o atual surto de Ebola no país tem potencial para se tornar o pior de todos os tempos. A combinação entre a agressividade da doença, a escassez de recursos e o contexto de conflitos locais tem criado o cenário perfeito para a rápida propagação do vírus.
Até o momento, o governo do Congo já registrou mais de 800 casos da rara cepa Bundibugyo, dos quais 192 foram fatais. Embora surtos anteriores do vírus Ebola tenham apresentado taxas médicas de mortalidade média em torno de 50% (podendo variar de 25% a 90%), a cepa Bundibugyo especificamente possui uma taxa estimada entre 25% e 40%, segundo dados da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). O grande perigo atual reside no fato de que não existem tratamentos ou vacinas comprovadas e aprovadas para combater essa variante específica, o que limita severamente a resposta médica.
Para piorar o cenário, o real tamanho da crise ainda é uma incógnita. Autoridades do CDC da África informaram que as equipes de saúde conseguem monitorar e rastrear apenas 12% das pessoas que tiveram contato com o vírus. “Esse é um indicador importante para nós. Significa que, até o momento, não sabemos a magnitude desse surto”, informou o órgão.
A resposta humanitária e de saúde esbarra em barreiras severas na região. Há uma falta crônica de centros de tratamento estruturados, resistência por parte das comunidades locais em aderir aos protocolos de segurança e escassez generalizada de equipamentos de proteção individual (EPIs). Além disso, faltam equipes profissionais preparadas para realizar os sepultamentos seguros — uma vez que o Ebola continua altamente contagioso e é transmitido por fluidos corporais mesmo após a morte do paciente.
Atualmente, a doença se espalha rapidamente por três províncias congolesas e já cruzou fronteiras, registrando casos em Uganda de forma epidemiologicamente ligada à transmissão original no Congo. Diante do perigo iminente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como uma emergência global de saúde pública, enquanto o CDC da África busca captar urgentemente 518 milhões de dólares para financiar as ações de contenção, alertando que os custos humanos e financeiros podem disparar caso a ajuda internacional imediata não chegue.