Vulnerabilidade em tecnologia utilizada por cerca de 70% dos sites do mundo levou à retirada temporária de plataformas do ar; sistemas públicos brasileiros foram afetados, mas o GOV.BR continuou funcionando normalmente
Uma falha de segurança na linguagem de programação PHP provocou a interrupção temporária de sites e plataformas digitais em diferentes países na quarta-feira (21). O problema também atingiu o Brasil, onde sistemas do governo federal foram retirados do ar preventivamente para a realização de atualizações de segurança.
Utilizada em cerca de 70% dos sites do mundo, a linguagem PHP está presente em diversas plataformas digitais, incluindo o WordPress, ferramenta amplamente usada para criação e gerenciamento de páginas na internet.
A vulnerabilidade levou empresas e órgãos públicos de diferentes países a suspender temporariamente serviços enquanto equipes técnicas trabalhavam para corrigir o problema. Na Europa, foram registrados impactos em sites governamentais e plataformas de notícias. Países como Inglaterra, Irlanda, França e Holanda estiveram entre os afetados.
Sistemas do governo brasileiro passaram por atualização
No Brasil, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos informou que emitiu um alerta às unidades de tecnologia do governo federal por meio do Centro de Prevenção, Tratamento e Respostas a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal, conhecido como Ctir.Gov.
A orientação foi retirar temporariamente do ar sistemas desenvolvidos em PHP, bloqueando o acesso externo até que as medidas de segurança fossem adotadas.
Entre os serviços afetados esteve o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), utilizado para a produção e a gestão de documentos e processos administrativos eletrônicos. Segundo o ministério, a suspensão ocorreu como medida preventiva. Durante o período, demandas urgentes relacionadas a documentos poderiam ser encaminhadas pelo GOV.BR ou por e-mail.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que seu sistema SEI ficou indisponível na quarta-feira, das 12h15 às 22h05, no horário de Brasília. A agência explicou que a decisão seguiu recomendações internacionais e teve caráter preventivo. Não houve registro de invasão, e o sistema foi restabelecido após a correção.
O Ministério também confirmou que a plataforma GOV.BR não foi afetada. As equipes de segurança cibernética continuaram avaliando os efeitos da vulnerabilidade e acompanhando a atualização dos sistemas envolvidos.
Falha levou à suspensão de serviços em outros países
Os efeitos da vulnerabilidade também foram registrados em diferentes regiões do mundo. No Reino Unido, quase 30 serviços governamentais ficaram indisponíveis e outros quatro apresentaram funcionamento parcial durante as atualizações, segundo informações divulgadas por uma integrante do governo britânico.
Na Irlanda, o site de notícias The Journal ficou fora do ar. Já na Europa continental, páginas governamentais da França, Dinamarca, Finlândia e Holanda foram temporariamente desativadas durante os trabalhos de correção.
No Japão, empresas como a companhia aérea ANA, a operadora ferroviária JR West e o banco MUFG também relataram suspensões temporárias de páginas e serviços digitais.
Diante da dimensão do problema, autoridades dos Estados Unidos e da Europa recomendaram que empresas e organizações adotassem medidas imediatas para corrigir as falhas. O governo japonês também orientou empresas a considerarem a suspensão temporária de serviços, quando necessário, para reduzir os riscos.
Inteligência artificial ajudou a identificar vulnerabilidades
As falhas foram identificadas por equipes da OpenAI e das empresas de segurança cibernética Wiz e Calif. Os problemas, chamados de PHP2Shell, poderiam permitir que invasores acessassem sites e lessem dados armazenados na memória dos sistemas, incluindo informações confidenciais e senhas.
De acordo com informações citadas pela Reuters, uma empresa de computação em nuvem identificou milhões de tentativas de invasão que exploravam a vulnerabilidade.
Pesquisadores da Wiz destacaram que a inteligência artificial teve papel importante na identificação dos problemas, que permaneceram ocultos no código-fonte do PHP por mais de uma década.
Após a descoberta, a Fundação PHP, responsável pela linguagem, disponibilizou uma correção e recomendou que administradores atualizassem imediatamente os sistemas para a versão segura.
O episódio evidencia a importância de manter softwares atualizados e adotar medidas preventivas de segurança digital. Como o PHP está presente em uma parcela significativa da internet, falhas nesse ambiente podem gerar impactos amplos, exigindo uma resposta rápida de empresas, governos e operadores de serviços digitais.