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Caixa-preta do helicóptero que caiu com o cantor Rick não registrou o voo do acidente, aponta Cenipa

Foto: FAB/Divulgação
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Relatório preliminar revela que as gravações recuperadas não correspondem à viagem que terminou na morte do artista e de outras quatro pessoas em Santa Catarina; documento também aponta relatos de falhas recorrentes nos geradores da aeronave

O relatório preliminar divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou que a caixa-preta do helicóptero que caiu em Santa Catarina, matando o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas, não registrou as conversas da cabine durante o voo do acidente. As gravações recuperadas do equipamento pertenciam a outro momento e não permitiram recuperar os diálogos da viagem que terminou na queda.

O acidente aconteceu em 21 de setembro de 2026, quando o helicóptero Bell 430, de matrícula PP-MGR, realizava um trajeto em Santa Catarina. A aeronave decolou de Porto Belo e tinha previsão de chegada ao destino por volta das 11h24. Os destroços foram localizados no dia seguinte, em uma área de mata de difícil acesso na região de Urubici.

Além de Rick, da dupla sertaneja Rick e Renner, morreram o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

Equipamento não era obrigatório para a aeronave

Segundo o Cenipa, o gravador de voz da cabine, conhecido pela sigla CVR (Cockpit Voice Recorder), foi encontrado e teve os dados extraídos. No entanto, o conteúdo não correspondia ao voo investigado.

O relatório informa que a instalação desse tipo de equipamento não era exigida pelos regulamentos brasileiros de aviação civil para o modelo de helicóptero envolvido no acidente. Apesar disso, a aeronave possuía um gravador instalado desde maio de 2002, com capacidade para armazenar 30 minutos de áudio.

A ausência de registros da viagem impede que os investigadores utilizem as conversas da cabine para esclarecer o que ocorreu nos momentos finais do voo. A apuração, porém, continua com base em outras evidências técnicas e operacionais.

Relatos apontam falhas nos geradores

O documento preliminar também menciona relatos de falhas intermitentes nos geradores do helicóptero. Segundo as informações reunidas pelos investigadores, alguns desses problemas teriam ocorrido em situações de umidade, como voos dentro de nuvens ou sob chuva, e não haviam sido solucionados definitivamente.

O relatório ainda aponta que as condições meteorológicas previstas para o trajeto indicavam chuva moderada, redução da visibilidade, possibilidade de trovoadas e nuvens que poderiam dificultar a navegação aérea na região da Serra Geral.

Essas informações fazem parte da investigação e, isoladamente, não determinam a causa do acidente. O Cenipa segue analisando os dados disponíveis para identificar os fatores que podem ter contribuído para a queda.

Investigação continua

A aeronave foi encontrada após horas de buscas em uma região de acesso difícil. As equipes de resgate precisaram percorrer a área de mata para chegar aos destroços, onde foram localizadas as cinco vítimas.

O trabalho do Cenipa envolve a análise das condições meteorológicas, das informações técnicas da aeronave, das atividades relacionadas ao voo e de outros elementos que possam ajudar a reconstruir a ocorrência.

O relatório preliminar reúne informações identificadas até o momento, mas não representa a conclusão definitiva da investigação. O objetivo é esclarecer as circunstâncias do acidente e contribuir para a prevenção de ocorrências semelhantes na aviação.