Prestes a celebrar 85 anos e com seis décadas de sacerdócio, o ícone da música católica lida com calúnias digitais enquanto lança sua primeira biografia autorizada
Um dos nomes mais importantes e influentes da Igreja Católica no Brasil, o Padre Zezinho, voltou a ser alvo de uma onda de ataques e hostilidades nas redes sociais por parte de grupos católicos tradicionalistas. O estopim para as novas agressões virtuais aconteceu depois que o religioso republicou um texto que criticava o extremismo de vertentes católicas no ambiente digital. A partir daí, o sacerdote passou a enfrentar calúnias graves, incluindo a circulação de vídeos falsos que tentam associá-lo ao comunismo.
Apesar do cenário hostil, o criador da famosa “Oração pela Família” e de mais de 1,8 mil canções lida com a situação com a serenidade de quem tem uma carreira sólida e coerente. Em tom de desabafo, ele revelou que é agredido diariamente e que críticos radicais chegam a chamá-lo de “um câncer para a Igreja”. No entanto, o padre minimiza o impacto do grupo, afirmando que os extremistas representam apenas cerca de 2% dos fiéis, enquanto a esmagadora maioria busca acolhimento, atualização e apoia as diretrizes sociais da Igreja.
As críticas ao seu estilo não são novidade. Desde que começou seu trabalho na década de 1960, logo após o término do Concílio Vaticano 2º, ele inovou ao trocar a tradicional batina por roupas comuns no convívio social e ao introduzir o violão nas celebrações para aproximar a juventude. Considerado um pioneiro no uso da música como ferramenta de comunicação de massa, sua trajetória sempre esteve muito ligada à doutrina social da Igreja e à defesa dos mais pobres.
Hoje, prestes a completar 85 anos de idade e comemorando 60 anos de vida sacerdotal, Padre Zezinho rejeita rótulos políticos e se define simplesmente como um “catequista” e “explicador”. Em meio à forte polarização que tomou conta da sociedade e das redes, ele ressalta que não se considera progressista nem conservador, mas sim um “atualizador”. Sobre temas econômicos e ideológicos, o sacerdote mantém uma postura firme em prol do equilíbrio: defende que nem o capitalismo nem o comunismo ajudam a Igreja e que, diante de qualquer divisão, sua escolha sempre será o caminho do diálogo. Todo esse legado de fé, música e superação está sendo eternizado com o lançamento de sua primeira biografia autorizada, escrita pela jornalista Gabi Bonvechio.