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Ex-banqueiro Daniel Vorcaro acelera e aprofunda proposta de delação premiada

Foto: divulgação
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Nova versão entregue à Polícia Federal e à PGR detalha fraudes no Banco Master e cita políticos e ministros dos Três Poderes; decisão sobre acordo deve sair até o dia 12 de junho

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, correu contra o tempo para apresentar uma nova proposta de colaboração premiada às autoridades. Preso em Brasília no âmbito das investigações que apuram fraudes bilionárias no sistema financeiro, Vorcaro acelerou o envio dos documentos com um objetivo claro: evitar sua transferência para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal. O movimento aconteceu logo após os investigadores rejeitarem uma primeira versão de seu depoimento por considerá-la “seletiva” e com pouca utilidade prática para o caso.

O temor do empresário de perder os privilégios da prisão em uma sala de Estado-Maior — onde conta com espaço individual e banheiro próprio — moldou a estratégia de sua defesa. Após o revés inicial e a saída de um de seus principais advogados, a nova proposta apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou com um teor muito mais robusto. Fontes ligadas à investigação apontam que, desta vez, o ex-banqueiro decidiu aprofundar os relatos, incluindo novos personagens e detalhando a participação de figuras influentes da política nacional, que envolvem desde integrantes da oposição no Congresso até ministros do governo e do próprio Supremo Tribunal Federal (STF).

Os órgãos investigadores analisam as novas revelações para avaliar se elas trazem, de fato, provas e resultados concretos capazes de desmantelar o esquema de corrupção e fraudes, cujos custos estimados já superam os R$ 57 bilhões. A expectativa das autoridades envolvidas é de que uma resposta definitiva sobre a aceitação ou negação dessa nova proposta de delação seja anunciada até o próximo dia 12 de junho.

Caso a PF e a PGR deem parecer favorável ao novo material, o acordo não se torna automático. O processo seguirá para as mãos do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a quem caberá a decisão final de homologar a delação. O ministro avaliará se a proposta cumpre todos os requisitos legais e de voluntariedade. Se aceita, caberá ao Judiciário estipular o tamanho do benefício que Vorcaro receberá — cujo principal objetivo do ex-banqueiro é garantir a progressão para a prisão domiciliar —, abrindo caminho para que a Polícia Federal passe a mirar oficialmente as novas autoridades citadas.