Cantor desabafa após recomendação de redução de cachê, enquanto Ministério Público aponta que valor atual é 40% maior que no ano passado
O tradicional São João da Bahia sofreu um desfalque de peso para a temporada de 2026. O cantor e sanfoneiro Flávio José, um dos maiores ícones do forró tradicional do país, anunciou o cancelamento de toda a sua agenda de apresentações no estado. A decisão foi comunicada pelo próprio artista por meio de um desabafo nas redes sociais, motivada por um impasse com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) a respeito dos valores de seus contratos.
Em sua manifestação pública, Flávio José classificou a situação como um “desrespeito sem tamanho”. O cantor criticou a recomendação do órgão fiscalizador de diminuir o valor de suas apresentações, ressaltando o sentimento de desvalorização às vésperas do período junino, especialmente quando comparado aos altos investimentos destinados a artistas de gêneros alheios ao forró. Segundo o veterano, a decisão de não se apresentar no estado afetará shows planejados para cerca de 15 municípios baianos, incluindo a tradicional festa de Senhor do Bonfim. O artista lamentou o cenário, afirmando que priorizou a Bahia ao longo de toda a sua trajetória e que deixou de fechar datas em outros estados que o valorizavam mais.
Por outro lado, o Ministério Público da Bahia se posicionou esclarecendo que as medidas adotadas não são direcionadas especificamente a Flávio José, mas fazem parte de uma fiscalização ampla que engloba mais de 100 atrações artísticas. De acordo com os dados coletados pelo Painel de Transparência dos Festejos Juninos do MP-BA, os contratos previstos para o cantor em 2026 estavam estipulados em R$ 350 mil por show. O órgão apontou que, no São João do ano passado, o cachê cobrado pelo forrozeiro na maioria das cidades baianas foi de R$ 250 mil. Dessa forma, o valor atual representaria um aumento de R$ 100 mil, correspondendo a um acréscimo de aproximadamente 40% em relação ao ano anterior.
O MP-BA defendeu que as recomendações enviadas aos municípios buscam frear a escalada excessiva nos preços das contratações artísticas custeadas com verbas públicas, que saltaram de uma média de R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil nas últimas quatro edições da festa. O órgão enfatizou que as diretrizes técnicas são baseadas em parâmetros dos Tribunais de Contas e corrigidas pelo IPCA. O Ministério Público declarou ainda que permanece de portas abertas para dialogar com a equipe de Flávio José e com os demais artistas interessados em readequar os valores contratuais à realidade financeira de cada município.
Foto: Arnaldo Félix/ Divulgação